Busca

Quiescens

"Estando em terra, chego ao céu voando, numa hora acho mil anos, e é de jeito que em mil anos não posso achar uma hora." – Camões

Categoria

Sem categoria

Sobre a esperança.

Lendo o conto O drama da geada do Monteiro Lobato, me recordei do Velho e o mar… Uma pessoa que se esforça muito, exaurindo toda sua força para atingir um objetivo e ao fim ver tudo escorrer pelos dedos, incapaz de segurar, de controlar a situação. 

Assistir a essa cena é extremamente agoniante e frustrante. Nos primeiros instantes pós tragédia,  é difícil manter a razão e reerguer-se após grande queda. A dor excruciante faz qualquer um perder os sentidos, desistir da luta, desistir da razão, desistir da vida. Desistir.

Depois que todos os ossos se quebram parece ser impossível que eles se restabeleçam.

No Drama da geada, o major Quincas enlouqueceu após a geada destruir todo o cafezal que se empenhou para plantar. Os credores viriam e ele perderia tudo.

Já o velho Santiago (O velho e o mar), depois de todas as agruras que enfrentou para pescar o grande peixe, tentou, inutilmente, impedir que sua pesca fosse comida por outros peixes. A certo ponto, pensei, enquanto lia, que aquele homem que não tinha nada, absolutamente nada, deveria desistir. Nunca mais voltar a pescar. Porque não estava aguentando mais ler aquela grande injustiça, todo seu esforço foi comido por outros animais. E, no entanto, ele voltou a praia, descansou seu corpo, alimentou-se e logo estava pronto para a próxima pesca. E eu vi o quão fraca sou, sem resistência. O ser humano deve ser resiliente, transcender os obstáculos, suportar as adversidades, contorcer-se para adaptar sua forma sem nunca perder sua essência. Difícil né? Eu me senti tão envergonhada depois de ver a forma como eu estava pensando, que seria mais fácil que aquele homem, um personagem fictício, mas que representa cada um de nós, deveria desistir de tudo, quem sabe até da própria vida.

Ainda assim, pude sentir-me remida ao fim da história do velho Santiago, não estava mais frustrada, ao invés disso, senti o frescor da pura esperança.

Χαρούμενα γενέθλια

Eu juro que não sei como, mas depois de 4 anos que criei esse blog, todos os anos eu acabo entrando aqui exatamente no dia em que ele faz “aniversário”. Juro. Não é proposital. Esse trequinho de blog não tem nem 10 posts. Eu mal entro nisso e caio nesse bendito aniversário.

Não tem nada de mais. Nem pra mim. Nem pra você. Mas é que é a quarta vez que isso acontece e como não tenho nada melhor para escrever escrevi esse textinho inútil.

E só pra você saber que raio de título é esse, é feliz aniversário em grego. Se eu escrevesse em português você não iria se interessar. Feliz aniversário quiescens!

Sobre o blog

Quiescens significa descanço. Aqueles momentos em que você faz uma pausa nos estudos ou no trabalho para distrair a mente e fazer algo que gosta.

Quiescens é onde compartilho um pouco das minhas horas livres e o que faço nelas.

 

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

Acima ↑