Quiescens se origina do latim, significando repouso tranquilo ou descanso. Línguas antigas são sempre fascinantes para mim. O mistério que elas exalam pelo fato de serem desconhecidas (para mim) fazem com que uma simples palavra tenha um valor quase mágico, surreal.

Mas veja: o descanso é um tanto surreal. Não a ação em si, mas o fato de que o repouso do corpo pode levar a mente a lugares tão distantes no tempo-espaço que simplesmente desafiam qualquer lei do nosso universo. Digo do nosso universo comum, esse com a Via Lactea, o nosso Sol, estrelas, planetas etc, pois cada ser pensante é capaz de criar para si novos mundos.

Da mesma forma, ideias de utilidade para o nosso mundo podem brotar nesses tempos de descanso. Como dizia Aristóteles, o ócio é a única atividade humana digna dos homens livres. Isso porque o ócio é um processo produtivo, de ideias, reflexões, criatividade.

Ainda existe outra utilização da palavra “quiescente”, como a utilizamos em português, que acredito ser uma bela expressão da natureza.

Uma semente, quando dispersada pela planta-mãe, está em estado de dormência. Ela possui dentro de si todos os nutrientes, os genes herdados que lhe conferirão suas características. No entanto, necessitam de condições específicas para que possam se tornar sementes quiescentes, ou seja, germinar.

Dito isso, cada um tome suas próprias conclusões. Mas posso dizer que o brotar da criatividade é o maior deleite de um ser humano, mais do que fazê-la crescer (pois isso requer bastante trabalho) e finalmente vê-la completa, pois agora a ideia já está solidamente formada e não necessita mais de seu criador.